Queridos(as)
No endereço: http://www.youtube.com/watch?v=0j6jgDs7gMQ
Marilena Chauí fala sobre eleição e democracia.
Neste outro video: http://www.youtube.com/watch?v=reuczA7VMc0
vocês encontrarão cenas do ato que reuniu artistas e intelectuais, ontem, dia 18, na cidade do Rio de Janeiro.
Um grande abraço.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
M I S AGITA A CIDADE DE CAMPINAS.
Prezados(as) leitores(as).
O Museu da Imagem e do Som da cidade de Campinas está com uma programação esplêndida.
Acompanhem a agenda.
Local: MIS Campinas. Rua Regente Feijó, 859. Centro. Entrada Gratuita.
Sábado 16/10
16h - Mesa de abertura: "Experiências de Comunicação Popular"
Col. Comunicadores Populares (Cps), Col. de Vídeo Popular (São Paulo), Cia Estudo de Cena (São Paulo), Passa Palavra (São Paulo), Nossa Tela (São Paulo)
sessão 01 - 19h30
"Radix" » Músicos, poetas, videomakers e coletivos de tribos urbanas mostram suas várias particularidades e semelhanças na ação do querer-mudar.
"Periferia Luta" » Denúncia dos abusos promovidos por grandes empresas e pelo Estado nas quebradas da periferia de São Paulo.
"A gente faz TV pensando POR você" » Contra-propaganda que sugere quem de fato tem o controle dos controles remotos.
"Fulero Circo - O Mistério do Novo" » Uma trupe de desempregados e trabalhadores ocasionais viajam pelo país apresentando seu espetáculo “O mistério do novo”, uma investigação sobre os dias de hoje.
Domingo 17/10
16h - DEBATE: "mulheres unidas na luta e na vida"
Kelli Maforte (Dir. MST), Soraia Aparecida da Silva (Col. Mulheres "Luiza Mahim", MST Cps), Profª Maria Orlando Pinassi (Unesp Araraquara)
sessão 02 - 19h30
"Prestes 23+10" » A história de Severino e Roberta na ocupação Prestes Maia: a luta pela moradia e pela manutenção de sua biblioteca de livros retirados do lixo.
"Existe política além do voto" » Relato das opiniões de trabalhador@s sobre o processo eleitoral brasileiro.
"Estudo de cena: a república" » Constituição da república no país de Jericó. Livre adaptação do texto “O 18 brumário de Luis Bonaparte” escrito por Karl Marx em 1852.
"20/11 - Dia da Consciência Negra" » Dia da Consciência Negra em Campinas: ato pela inclusão racial, contra o racismo, a intolerância religiosa e o genocídio dos jovens negros.
Segunda 18/10
sessão 03 19h30
"Cruzando o Deserto Verde" » Integrantes do movimento Alerta Contra o Deserto Verde apresentam os impactos socioambientais provocados pela monocultura do eucalipto.
"O mendigo" » Os dramas de um mendigo e seu violão velho ou uma surpreendente e reveladora realidade?
"Parada 2008" » Um olhar sobre a luta contra os preconceitos a partir de um jovem de periferia que está indo para a Parada da Diversidade Sexual de 2008 em Cuiabá.
"Vídeos da Rua" » Dois curtas resultados de oficinas ministradas à militantes de movimentos sociais que lutam por moradia.
Terça 19/10
sessão 04 19h30
"UERJ Ocupada" » Vinte dias de ocupação da reitoria da UERJ (2008) contra o sucateamento da universidade pública.
"Um Passo de Cada Vez: O despertar da cidadania" » Lideranças da Vila Costa e Silva (1º conjunto de casas populares de Campinas) relembram suas lutas.
"Ousar lutar, ousar vencer!" » As lutas dos servidores públicos municipais de Campinas (SP) através de seu sindicato.
"A Identidade da Memória Morta" » Questiona o abandono e a destruição de um rico patrimônio histórico na cidade de Campina Grande (PB).
"25 anos de luta e resistência" » O vídeo aborda os 25 de anos de existência do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região, desde 1984, e sua luta e resistência ao lado da classe trabalhadora contra os patrões e governos.
Quarta 20/10
sessão 05 16h
"Camponeses do Araguaia - A Guerrilha vista por dentro" » Camponeses descrevem o massacre da Guerrilha do Araguaia (72-74), palco da resistência armada contra o regime militar.
"A comunidade do Dom Bosco contra o fechamento da escola Dom Orione" » A luta de moradores do bairro Dom Bosco em Juiz de Fora-MG contra o fechamento da escola estadual Dom Orione.
"Fabrica De Mentiras E Fora Yeda - Tudo Junto E Misturado" » Animação em Stop-motion que aborda as atividades de propaganda contra os atos de corrupção do Governo Yeda Crusius na cidade de Porto Alegre.
19h30 - DEBATE: "Quadrinhos e Resistência"
Com os cartunistas Latuff (Rio de Janeiro), Bira (Campinas), DJ e o Coletivo Miséria (Campinas)
Quinta 21/10
16h sessão 06
"Construindo Identidades" » Estudantes do antigo Cursinho do Sindicato (Campinas) em contato com o debate sobre os movimentos sociais.
"Paz com voz" » Intervenção ativista na cidade de Araras compondo o Eventos da Luta Antimanicomial, Combate a Homofobia e à Exploração Sexual da Criança e do Adolescente.
"Segredos de Estado" - Por que os professores temem falar sobre a escola? » Relatos de professores da rede pública estadual de São Paulo que tiveram sua liberdade de expressão violada por conta da chamada “lei da mordaça”.
"Memórias Diretas" » Relato histórico da Campanha das Diretas-Já em Campinas, sob o ponto de vista de alguns personagens que fizeram parte desse episódio.
"Caminho das Águas" » A importância das minas de água para as lavadeiras e para o bairro Dom Bosco, em Juiz de Fora (MG), e o descaso dos órgãos oficiais.
sessão 07 19h30
"Levante sua voz" » Remonta o curta “Ilha das Flores” de Jorge Furtado com a temática do direito à comunicação.
"Qual Centro?" » Discute a “revitalização” do centro de São Paulo a partir dos moradores de uma ocupação num posto de gasolina.
"Uma Terra, Uma Vida" » A luta de famílias sem-terra no Mato-Grosso e a ação de Dom Pedro Casaldáliga na defesa dos direitos humanos.
Sexta 22/10
sessão 08 16h
"Atrás da Porta" » A experiência de arrombar prédios e criar novos espaços de moradia
das famílias sem-teto do RJ e seu questionamento da “revitalização urbana”.
sessão 09 19h30
"Assembleia Do Povo" - O que importa é o que a gente é! » Memórias de militantes da Assembléia do Povo, movimento social campineiro feito por favelados entre 79 e 82.
"Entre terras e céus" » A disputa em torno de terras públicas em uma zona limítrofe urbano-rural de Limeira-SP.
"Mais um..." » O vídeo discute o extermínio concreto e simbólico da juventude negra no estado do ES e o mito da democracia racial.
"Na Costa da Minha Mão" » Histórias, lendas danças e descobertas de um sotaque de bumba-meu-boi que ecoa no município de cururupu: o sotaque de costa de mão.
"Bigorna: caindo na real" » Olhar de um grupo de jovens que estão atrás das grades: perspectivas, sonhos, sociedade e liberdade...
"Flaskô: Trincheira de Resistência" » A resistência dos trabalhadores da fábrica ocupada Flaskô (Sumaré) contra a sua decretação de falência (2010).
Sábado 23/10
15h30 - Dança 1: "44 horas"
Processo criativo que tem como estímulo as relações de trabalho em nossa sociedade: a mecanização dos gestos e a coisificação humana. Com Natalia Fernandes, Tata Gouvea, Ana Paula Correia e Aline Brasil
16h00 - Dança 2: "Our Love"
Uma reflexão poética sobre o espaço urbano e a (in)viabilização das realizações afetivas e consequente reafirmação das solidões. Do Coletivo Intermitente Abismo de Sonhos: Edson Calheiros, Poliana Lima, Natalia Fernandes.
17h - bate papo: "O que é arte revolucionária?"
18h - Feira da Mostra Luta
Nos dias 23 e 24 a partir das 18 horas haverá a Feira da Mostra Luta. Tragam seus filmes, revistas, livros, jornais, fanzines, desenhos, discos e outros trabalhos!
sessão 10 19h30
"Trilharestórias" » A relação entre universidade e sociedade problematizada através do projeto de extensão “Trilharestórias” (Unicamp) e sua relação com o MST.
"Espeta-cu-lar" » Curta-metragem ficcional que faz uma crítica à manipulação de informação e alienação gerada pela televisão brasileira.
"A Baía pede Socorro" » Denúncia dos grandes empeendimentos privados na Baía de Sepetiba, RJ. Desenvolvimento para quê? Para quem?
"Haiti - Estamos Cansados" » Retrata o Haiti antes e depois do terremoto questionando o caráter repressivo das tropas da ONU.
"No Olho da Rua" » Através de depoimentos fragmentados e do rap, a realidade de um movimento cultural de resistência.
"Sinfonia Animal" » As relações entre animais humanos e não-humanos permeadas pelos ritos, ritmos e texturas da cidade, ambiente de convívio hierárquico e maquínico.
domingo 24/10
16h - DEBATE "Comunicação nos movimentos sociais: tática ou estratégia?"
(MST, MTST, Flaskô, Identidade, Abraço)
18h - Feira da Mostra Luta
Nos dias 23 e 24 a partir das 18 horas haverá a Feira da Mostra Luta. Tragam seus filmes, revistas, livros, jornais, fanzines, desenhos, discos e outros trabalhos!
19h30 - Sarau de encerramento
Aberto para intervenções, músicas, poesias, projeções!
O Museu da Imagem e do Som da cidade de Campinas está com uma programação esplêndida.
Acompanhem a agenda.
Local: MIS Campinas. Rua Regente Feijó, 859. Centro. Entrada Gratuita.
Sábado 16/10
16h - Mesa de abertura: "Experiências de Comunicação Popular"
Col. Comunicadores Populares (Cps), Col. de Vídeo Popular (São Paulo), Cia Estudo de Cena (São Paulo), Passa Palavra (São Paulo), Nossa Tela (São Paulo)
sessão 01 - 19h30
"Radix" » Músicos, poetas, videomakers e coletivos de tribos urbanas mostram suas várias particularidades e semelhanças na ação do querer-mudar.
"Periferia Luta" » Denúncia dos abusos promovidos por grandes empresas e pelo Estado nas quebradas da periferia de São Paulo.
"A gente faz TV pensando POR você" » Contra-propaganda que sugere quem de fato tem o controle dos controles remotos.
"Fulero Circo - O Mistério do Novo" » Uma trupe de desempregados e trabalhadores ocasionais viajam pelo país apresentando seu espetáculo “O mistério do novo”, uma investigação sobre os dias de hoje.
Domingo 17/10
16h - DEBATE: "mulheres unidas na luta e na vida"
Kelli Maforte (Dir. MST), Soraia Aparecida da Silva (Col. Mulheres "Luiza Mahim", MST Cps), Profª Maria Orlando Pinassi (Unesp Araraquara)
sessão 02 - 19h30
"Prestes 23+10" » A história de Severino e Roberta na ocupação Prestes Maia: a luta pela moradia e pela manutenção de sua biblioteca de livros retirados do lixo.
"Existe política além do voto" » Relato das opiniões de trabalhador@s sobre o processo eleitoral brasileiro.
"Estudo de cena: a república" » Constituição da república no país de Jericó. Livre adaptação do texto “O 18 brumário de Luis Bonaparte” escrito por Karl Marx em 1852.
"20/11 - Dia da Consciência Negra" » Dia da Consciência Negra em Campinas: ato pela inclusão racial, contra o racismo, a intolerância religiosa e o genocídio dos jovens negros.
Segunda 18/10
sessão 03 19h30
"Cruzando o Deserto Verde" » Integrantes do movimento Alerta Contra o Deserto Verde apresentam os impactos socioambientais provocados pela monocultura do eucalipto.
"O mendigo" » Os dramas de um mendigo e seu violão velho ou uma surpreendente e reveladora realidade?
"Parada 2008" » Um olhar sobre a luta contra os preconceitos a partir de um jovem de periferia que está indo para a Parada da Diversidade Sexual de 2008 em Cuiabá.
"Vídeos da Rua" » Dois curtas resultados de oficinas ministradas à militantes de movimentos sociais que lutam por moradia.
Terça 19/10
sessão 04 19h30
"UERJ Ocupada" » Vinte dias de ocupação da reitoria da UERJ (2008) contra o sucateamento da universidade pública.
"Um Passo de Cada Vez: O despertar da cidadania" » Lideranças da Vila Costa e Silva (1º conjunto de casas populares de Campinas) relembram suas lutas.
"Ousar lutar, ousar vencer!" » As lutas dos servidores públicos municipais de Campinas (SP) através de seu sindicato.
"A Identidade da Memória Morta" » Questiona o abandono e a destruição de um rico patrimônio histórico na cidade de Campina Grande (PB).
"25 anos de luta e resistência" » O vídeo aborda os 25 de anos de existência do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região, desde 1984, e sua luta e resistência ao lado da classe trabalhadora contra os patrões e governos.
Quarta 20/10
sessão 05 16h
"Camponeses do Araguaia - A Guerrilha vista por dentro" » Camponeses descrevem o massacre da Guerrilha do Araguaia (72-74), palco da resistência armada contra o regime militar.
"A comunidade do Dom Bosco contra o fechamento da escola Dom Orione" » A luta de moradores do bairro Dom Bosco em Juiz de Fora-MG contra o fechamento da escola estadual Dom Orione.
"Fabrica De Mentiras E Fora Yeda - Tudo Junto E Misturado" » Animação em Stop-motion que aborda as atividades de propaganda contra os atos de corrupção do Governo Yeda Crusius na cidade de Porto Alegre.
19h30 - DEBATE: "Quadrinhos e Resistência"
Com os cartunistas Latuff (Rio de Janeiro), Bira (Campinas), DJ e o Coletivo Miséria (Campinas)
Quinta 21/10
16h sessão 06
"Construindo Identidades" » Estudantes do antigo Cursinho do Sindicato (Campinas) em contato com o debate sobre os movimentos sociais.
"Paz com voz" » Intervenção ativista na cidade de Araras compondo o Eventos da Luta Antimanicomial, Combate a Homofobia e à Exploração Sexual da Criança e do Adolescente.
"Segredos de Estado" - Por que os professores temem falar sobre a escola? » Relatos de professores da rede pública estadual de São Paulo que tiveram sua liberdade de expressão violada por conta da chamada “lei da mordaça”.
"Memórias Diretas" » Relato histórico da Campanha das Diretas-Já em Campinas, sob o ponto de vista de alguns personagens que fizeram parte desse episódio.
"Caminho das Águas" » A importância das minas de água para as lavadeiras e para o bairro Dom Bosco, em Juiz de Fora (MG), e o descaso dos órgãos oficiais.
sessão 07 19h30
"Levante sua voz" » Remonta o curta “Ilha das Flores” de Jorge Furtado com a temática do direito à comunicação.
"Qual Centro?" » Discute a “revitalização” do centro de São Paulo a partir dos moradores de uma ocupação num posto de gasolina.
"Uma Terra, Uma Vida" » A luta de famílias sem-terra no Mato-Grosso e a ação de Dom Pedro Casaldáliga na defesa dos direitos humanos.
Sexta 22/10
sessão 08 16h
"Atrás da Porta" » A experiência de arrombar prédios e criar novos espaços de moradia
das famílias sem-teto do RJ e seu questionamento da “revitalização urbana”.
sessão 09 19h30
"Assembleia Do Povo" - O que importa é o que a gente é! » Memórias de militantes da Assembléia do Povo, movimento social campineiro feito por favelados entre 79 e 82.
"Entre terras e céus" » A disputa em torno de terras públicas em uma zona limítrofe urbano-rural de Limeira-SP.
"Mais um..." » O vídeo discute o extermínio concreto e simbólico da juventude negra no estado do ES e o mito da democracia racial.
"Na Costa da Minha Mão" » Histórias, lendas danças e descobertas de um sotaque de bumba-meu-boi que ecoa no município de cururupu: o sotaque de costa de mão.
"Bigorna: caindo na real" » Olhar de um grupo de jovens que estão atrás das grades: perspectivas, sonhos, sociedade e liberdade...
"Flaskô: Trincheira de Resistência" » A resistência dos trabalhadores da fábrica ocupada Flaskô (Sumaré) contra a sua decretação de falência (2010).
Sábado 23/10
15h30 - Dança 1: "44 horas"
Processo criativo que tem como estímulo as relações de trabalho em nossa sociedade: a mecanização dos gestos e a coisificação humana. Com Natalia Fernandes, Tata Gouvea, Ana Paula Correia e Aline Brasil
16h00 - Dança 2: "Our Love"
Uma reflexão poética sobre o espaço urbano e a (in)viabilização das realizações afetivas e consequente reafirmação das solidões. Do Coletivo Intermitente Abismo de Sonhos: Edson Calheiros, Poliana Lima, Natalia Fernandes.
17h - bate papo: "O que é arte revolucionária?"
18h - Feira da Mostra Luta
Nos dias 23 e 24 a partir das 18 horas haverá a Feira da Mostra Luta. Tragam seus filmes, revistas, livros, jornais, fanzines, desenhos, discos e outros trabalhos!
sessão 10 19h30
"Trilharestórias" » A relação entre universidade e sociedade problematizada através do projeto de extensão “Trilharestórias” (Unicamp) e sua relação com o MST.
"Espeta-cu-lar" » Curta-metragem ficcional que faz uma crítica à manipulação de informação e alienação gerada pela televisão brasileira.
"A Baía pede Socorro" » Denúncia dos grandes empeendimentos privados na Baía de Sepetiba, RJ. Desenvolvimento para quê? Para quem?
"Haiti - Estamos Cansados" » Retrata o Haiti antes e depois do terremoto questionando o caráter repressivo das tropas da ONU.
"No Olho da Rua" » Através de depoimentos fragmentados e do rap, a realidade de um movimento cultural de resistência.
"Sinfonia Animal" » As relações entre animais humanos e não-humanos permeadas pelos ritos, ritmos e texturas da cidade, ambiente de convívio hierárquico e maquínico.
domingo 24/10
16h - DEBATE "Comunicação nos movimentos sociais: tática ou estratégia?"
(MST, MTST, Flaskô, Identidade, Abraço)
18h - Feira da Mostra Luta
Nos dias 23 e 24 a partir das 18 horas haverá a Feira da Mostra Luta. Tragam seus filmes, revistas, livros, jornais, fanzines, desenhos, discos e outros trabalhos!
19h30 - Sarau de encerramento
Aberto para intervenções, músicas, poesias, projeções!
sábado, 28 de agosto de 2010
A TV CULTURA NÃO PODE ACABAR.
Queridos(as) Leitores(as).
Vocês já devem estar sabendo o que a equipe técnica do governo do estado de São Paulo pretende fazer com a nossa TV Cultura. Alegando problemas relativos à pouca audiência, querem nos tirar a única possibilidade, no meio televisivo, de encontrarmos programas que vão além da mesmice, que instigam a nossa inteligência e imaginação. Anexo aqui uma carta da Maria Rita Kehl, publicada no jornal o Estado de S.Paulo. Vamos reagir, botar a boca no trombone.
Um dia a massa há de provar do biscoito fino que fabrico. (Oswald de Andrade)
Que pena. Cada vez que me decido a escrever uma crônica mais leve nesta coluna (não ouso dizer literária. Bem, já disse), o sentimento do mundo me pega não como a doce melancolia do poeta, mas como um paralelepípedo na testa. Não sou capaz de recusar o debate público. Deve ser um sintoma grave, desses que não têm cura depois de certa idade.
Desta vez, a acalorada discussão em torno do projeto de desmanche da TV Cultura me pegou pela cabeça e pelo coração. O economista João Sayad é um homem público respeitável. Conseguiu botar em ordem as finanças da Prefeitura de São Paulo depois da calamitosa gestão Celso Pitta. O ministro Fernando Haddad contou que foi em conversa com ele que surgiu o projeto dos CEUs, oásis de cultura e sociabilidade a quebrar a aridez da vida nos bairros mais pobres da cidade. João Sayad não precisa de prestígio. Já tem.
Por isso não entendo o que o levou a assumir a presidência de um empreendimento que ele não conhece, não parece interessado em conhecer e, acima de tudo, evidentemente não gosta. Até o momento não li nem ouvi falar de nenhuma proposta criativa de Sayad para a TV Cultura. Nenhum novo projeto de programa, de modificação na grade, nenhum novo conceito sobre o papel da única tevê pública de canal aberto do Estado mais rico do Brasil. Tudo o que se sabe é que o economista veio para cortar gastos. Demitir três quartos dos funcionários! Impossível imaginar que a Fundação abrigasse 1.400 empregados inúteis. Tal enxugamento da folha de pagamentos visa a exterminar o quê? A própria programação.
Pontes e viadutos
Tudo leva a crer que Sayad não tinha ideia do que a TV Cultura já fez e ainda faz; em reunião interna demonstrou desconhecer até mesmo um diretor da importância do Fernando Faro, embora não haja sinais de que vá interromper o melhor programa musical do País, que além do mais se tornou um arquivo vivo da memória da música brasileira. Fora isso, terá vindo apenas para encolher os gastos da emissora, com a fúria de um exterminador do futuro? Não haverá argumento que o convença da importância de usar dinheiro público para a experimentação, a invenção e a aposta em programas de qualidade, diferenciados da mesmice das emissoras comerciais?
As primeiras notícias falam em venda dos estúdios e dos equipamentos, demissões em massa e redução da TV Cultura a um pequeno e mesquinho balcão de compra de enlatados. Faz tempo que uma decisão política não me causava tristeza tão grande.
Sendo a economia de verba sua única proposta, gostaria de saber qual o destino de todo o dinheiro que ele haverá, sem dúvida, de poupar com o encolhimento da Cultura. Que se revejam as contas da emissora para eliminar possíveis desperdícios e inoperâncias, vá lá. Mas por que um Estado rico como o nosso precisa ser tão mesquinho nos gastos com sua TV pública?
Uma Secretaria (infelizmente entregue a outro homem que não gosta disso) que pode manter a Osesp para usufruto da elite paulista, que pode construir um luxuoso Teatro da Dança, outro da Ópera, para a mesma elite – não pode manter uma TV experimental para um público, não necessariamente elitista, mas pequeno?
O argumento é que ela é irrelevante em termos de Ibope. Então, tá. Quantos milhões de telespectadores são necessários na planilha do atual gestor para justificar a existência de uma emissora que funciona como laboratório de programas ligados à cultura brasileira e internacional, e que conta com um público muitas vezes mais numeroso do que o que cabe na Sala São Paulo? Não escrevo isto para criticar a Osesp. Que floresçam mil Osesps pelo Estado, pelo País. Uma só Osesp é mais progressista do que todas as pontes e viadutos que um governo possa construir. Faço a comparação para mostrar o absurdo de se desmontar, com argumentos de planilha, uma televisão pública que utiliza sua verba para oferecer biscoito fino à massa.
Princípio operante
Escolho, para terminar, o triste exemplo de um programa que já foi extinto pela atual direção: Manos e Minas. Um corajoso programa de auditório dedicado ao hip hop, levado ao ar ao vivo nos sábados à tarde sob o comando de Rap in Hood, que estreou em CD lá por 2000, cantando: "eu tenho o microfone/ é tudo no meu nome". Ter acesso ao microfone e falar em nome próprio: na plateia, meninos e meninas de pele escura, "bombeta e moleton", não se distinguem dos mesmos meninos e meninas que sobem para dar seu recado no palco. Enfim, alguém teve a ousadia de dar visibilidade à atividade musical dos jovens da periferia de São Paulo, acostumados a só existir na mídia quando algum dentre eles comete um crime.
Manos e Minas não precisa de argumentos de segurança pública para se justificar. Dar espaço ao rap na televisão é importante por si só. Mas a decisão de acabar com o programa nos faz refletir sobre o modo como a elite paulista concebe a inclusão simbólica da periferia na produção cultural da cidade: não concebe. Daí que a pobreza, aqui, seja um problema exclusivo de segurança pública.
A extinção de Manos e Minas lembra, não pelo conteúdo, mas pelo princípio operante, as desastradas políticas de "limpeza" da cracolândia. Quem mais, senão uma TV pública, poderia investir na visibilidade dos artistas da periferia?
Por Maria Rita Kehl - O Estado de S.Paulo
sábado, 7 de agosto de 2010
O SILÊNCIO FALOU MAIS ALTO.
Leitores(as) amigos(as).
A ato público realizado hoje, em memória à Camille e às outras vítimas de homofobia no país, conseguiu mobilizar a população que passava pela Rua 13 de Maio. Os tambores sinalizavam o luto em ritmo lento e as pessoas apressadas em fazer suas compras diminuiram seus passos para ler, ouvir, sentir o que estava se passando. As bandeiras dos partidos políticos apresentando seus candidatos, os megafones das lojas anunciando seus produtos, o barulho das buzinas, por um instante, desapareceram e aquele silêncio emocionou a todos. Finalizando o ato, fez-se uma roda em frente à Catedral e nomes de pessoas conhecidas que morreram nas mesmas condições trágicas de Camille foram citados. Na despedida, um abraço fraterno, indicando que as pessoas não perderam a capacidade de se indignar.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
CONVOCATÓRIA DO GRUPO IDENTIDADE.
Prezados(as) amigos(as)
Envio-lhes a convocatória do Grupo Identidade para um ato público a ser realizado no dia 07 de agosto, às 10 horas, aqui em Campinas. Divulguem em suas listas.
A Coordenadoria de Travestis e Transexuais do Identidade - Grupo de Luta pela Diversidade Sexual, vem por intermédio desta convocar a todas e todos, para um ATO PÚBLICO neste próximo sábado, dia 07 de Agosto, que terá início em frente ao Prédio da Fepasa, "Estação Cultura", às 10:00 horas, seguirá pela rua 13 de maio, em um Ato Silencioso, tornando pública nossa dor e revolta pela morte de Camille Gerin, vítima de Homofobia e Sexismo.
Convidamos e sugerimos a todas e a todos que compuserem conosco este ATO que venham vestidos de preto, com guarda-chuva também preto. Aquel@s que quiserem trazer cartazes de indignação por conta da violência que a comunidade LGBT tem sofrido ou algum objeto e foto que lembre a Camille e tantas outras vítimas de homofobia, sintam-se a vontade!!
Atenciosamente,
Suzy Cristel
Suzy Cristel
Coordenadoria de Travestis e Transexuais
Identidade - Grupo de Luta pela Diversidade Sexual
Identidade - Grupo de Luta pela Diversidade Sexual
terça-feira, 27 de julho de 2010
MAIS UM CASO DE VIOLÊNCIA HOMOFÓBICA EM CAMPINAS
Queridos(as) amigos(as)
Infelizmente não sou portadora de boas notícias. Acabei de receber um comunicado do Grupo de Luta pela Diversidade Sexual - IDENTIDADE - aqui em Campinas.
Camille, integrante desse grupo já participou de algumas atividades culturais na Unicamp, uma delas na Faculdade de Educação. No sábado, ela foi encontrada pela polícia exatamente no momento em que um homem jogava seu corpo em uma valeta próxima à linha do trem no Bairro Bonfim. Camille não morreu, mas está com o corpo totalmente desfigurado e em vias de ter sua morte cerebral decretada no Hospital Mário Gatti. O homem alegou legítima defesa. Advogados vinculados aos movimentos sociais da cidade estão tratando do caso. Nas próximas horas, serão divulgados o horário e o local das manifestações em repúdio a esse triste acontecimento que juntamente com outros casos caracterizam os microfascismos presentes em nossa sociedade.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
GESTALT TERAPIA E TEATRO ESPONTÂNEO.
Queridos(as).
Hoje, quero lhes apresentar o trabalho de dois amigos.
Alina Purvinis é psicóloga, pela Universidade de São Paulo, especialista em Psicologia Clínica pela PUC Campinas com pós formação em Gestalt-Terapia (curso ministrado por Michael Vincent Miller em São Paulo). Foi professora na PUC Campinas de 1975 a junho de 2010. Atua em Campinas como gestalt-terapeuta, onde atende jovens, adultos, casais e famílias. Para conhecer o núcleo, visitem o site: http://www.nucleogestalt.com.br/.
Moysés Aguiar (já apresentado aqui em meu blog) e sua trupe comunicam aos interessados que, na primeira quarta feira do mes de agosto, iniciarão em Campinas um novo grupo de formação em Teatro Espontâneo. O endereço eletrônico onde estão as bases da proposta do curso é: http://cursoteatroespontaneo.blogspot.com .
Um grande abraço.
domingo, 20 de junho de 2010
CONTOS DO CHICLETE.
Queridos(as) Leitores(as)
Minha amiga, Teresa Candolo acabou de lançar um livro intitulado "Contos do Chiclete", pela Ed. Adonis.
Adultos e crianças irão adorar a forma inteligente e bem humorada com que a Teresa aborda a ludicidade do chiclete para adentrar no universo infantil da ficção. Algumas histórias se passam na escola, ambiente em que mascar chicletes é transgredir. De um "inocente chiclete", de um "lúdico chiclete", de uma "pequenina diversão" brotam histórias inusitadas.
Tome cuidado!!! Chicletes à vista!! Aqui, entre estas aparentemente inofensivas folhas de papel, você poderá encontrar goma de mascar espalhando-se entre os seus dedos, grudando nos seus cabelos, enfiando-se naquele selinho tão esperado da garota mais bonita da turma...
São histórias só de chicletes e eles... estão por toda a parte, colorindo o mundo e a boca dos espertos.
Chicletes também contam histórias, afinal, quem vive na boca de quem tanto fala... conhece segredos!...
Teresa Candolo é aquela pessoa que vive com o Pão-de-ló, um labrador lindo, fofão e polidíssimo. Não se sabe quem o educou pra ser tão fino... A Teresa estudou Letras, na Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, onde também ficou um pouquinho mais de tempo estudando Literatura Medieval – aquela dos castelos, cavaleiros e dragões – no Mestrado e Doutorado.
Também foi estudar um pouquinho na Bélgica (Université Catholique de Louvain), pra ver os castelos e bruxas mais de perto. Depois ela formou-se em Radialismo – Locução (SENAC-Campinas), porque queria contar tudo pra todo mundo... mas... nem sempre a deixavam "pôr a boca no trombone"...
Então ela achou que poderia escrever. Afinal, ela já fazia isso desde criança, quando morava em Uchoa (SP), na cidade em que nasceu, onde é feriado no dia do aniversário dela (verdade!!!!).
Lá, ela vivia andando sobre os telhados; aqui, ela vive olhando as estrelas, porque alguém lindo ensinou isso pra ela... E não é bom?
Aqui em Campinas, dá aulas na Escola Estadual Gustavo Marcondes, onde as crianças a entendem mais que todo mundo... Mas, na verdade, ela está ali pra poder brincar um pouco mais com o mundo.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
OS CAVALOS QUE SOMOS
Olá!
Hoje, apresento a vocês mais um dos textos do Albor, comentando o filme "Cavalo de duas pernas", de Samira Makhmalbaf. Não há como ficarmos indiferentes à sua escrita e ao desassossego que a temática do filme provoca em nós.
Os cavalos que somos
Filmes iranianos são inegavelmente uma outridade. A narrativa é diferente, a língua é diferente, os atores, gestual, expressividade, tudo difere da ocientalidade, assistimos um filme “de lá” com um misto de curiosidade, surpresa, aborrecimento, tédio, indignação, expectativa etc. Usualmente o filme nos dá algo diferente do que esperamos, claro, por isso ele é diferente, por isso é uma expressão do outro.
O último filme de Samira Makhmalbaf (A maçã de 1994 é talvez seu mais conhecido filme apresentado por aqui, que com uma ternura incomensurável desvela a tragédia do abandono familiar) escrito pelo pai, o também cineasta Mohsen Makhmalbaf, é Cavalo de duas pernas (Asbe du-pa - 2008), e entra, ou melhor invade, ou melhor ainda avassala o espectador de modo indiscutível. Não se poderá ficar intocado frente à história, à narrativa, aos personagens, às relações. Como em Irreversível de Noé, teremos sempre a imagem de algumas cenas nos acompanhando.
Um menino mimado pelo pai teve as pernas amputadas por uma mina, que também vitimou sua mãe, sua irmã sofre de alguma doença e viaja com o pai para o exterior. Na miserável cidade o cuidador do menino contrata um miserável moleque forte para servir de transporte do inválido, levando-o “de cavalinho” para as aulas e passeios.
É fácil e tentador ver as analogias sociais: país rico oprimindo o país pobre, o filme rodado no Afeganistão depois da invasão russa, depois da invasão estadunidense; pessoa rica oprimindo a pobre; dominação pela miséria ...
E não se poderá dizer que isso não faça parte das leituras possíveis. Como toda obra de arte esta se presta a estas leituras. Mas evidentemente ela vai além.
Porque o aleijão se afeiçoa de algum modo a seu “cavalo”, este, com algum deficiência mental se adéqua às ordens de seu senhor e seja pelo dinheiro que recebe, que aos poucos perde importância, seja pela relação de submissão – único vínculo que vive no filme todo –, é a contraparte relacional da dominação opressiva.
Ninguém dá a mínima para a relação que ambos constroem. Nenhum adulto se interpõe quando os limites entre a autoridade e o sadismo são cruzados, nenhuma outra criança se enoja com a situação do cavalo, ao contrário, reafirmando a máxima que criança não presta de nascença. Querem todos dar uma volta no cavalo, conseguindo uma sela para que este fique mais cavalo ainda, ou dispondo-se a pagar mais por isso caso nos seus pés sejam pregadas as ferraduras para que o som dos passos pareça-se mais aos cascos...
Então não há relação que não seja de indiferença ou de aproveitamento, e todo afeto será vivido de um modo ou de outro, e a pequena mendiga pela qual se apaixona o “cavalo” é ela também usada como produto de uso, submetida ao pagamento do senhorzinho feudal. Não há como não lembrar do título de Fassbinder, O amor é mais frio que a morte (1969).
E as imagens são de uma beleza plástica maravilhosa, como por sinal é comum ocorrer também em outros filmes iranianos, e talvez por isso mesmo elas nos aprisionam dessa forma irrecusável, ainda que dolorosamente incisiva: também a dor é bela, também a opressão é bela, também a submissão é bela, e se o incômodo dessas afirmações é insuportável, moralmente insuportável, pessoalmente insuportável, filosoficamente insuportável, não por isso deixa de ser verdadeiro no filme, e por isso ele escapa a qualquer panfletarismo ou propaganda fácil: ele é insuportável e belo, numa reunião que vai alem do cartesianismo ocidental e do platonismo que cola o belo ao bom e certo. E nisso ele expressa uma vez mais a outridade, mas nós somos também esse outro.
ALBOR VIVES REÑONES
quarta-feira, 19 de maio de 2010
DOS DENTES QUE CAEM E DOS QUE NÃO DEVERIAM CAIR.
Olá queridos e queridas
Albor Vives Reñones, do grupo Violar, nos brinda com um artigo sobre o filme Dente Canino. Numa época em que se fala tanto em "desestruturação familiar", Albor nos apresenta algumas percepções sobre a família e as violências que atravessam a vida de todos nós.
Comentem.
Dos dentes que caem e dos que não deveriam cair
Em meados da década de oitenta os cineclubes (sim, houve um tempo no que as pessoas se reuniam para ver filmes decentes coletivamente, em pequenos cinemas, meio improvisados e mambembes) apresentaram um filme japonês que causou certa comoção e debate na época. A balada de Narayama (Narayama Bushi-Ko, Dir.: Shohei Imamura) ganhara a Palma em Cannes em 83, e fizera já uma carreira premiada. A história da anciã de 69 anos, que ao aproximar-se de seu 70º aniversário prepara sua ida ao monte Narayama para lá, como rezava a tradição, ser deixada pelo filho mais velho para morrer, trazia temas delicados e intensos à tona. A situação de fim de século XIX japonês não diferia muito de algumas regiões miseráveis atuais e, talvez por isso mesmo a disponibilidade de velhinha em seguir a tradição, tenazmente, indicava um valor maior, de sacrifício pela coletividade familiar, que sofreria privações com uma boca a mais.
No ano passado Cannes premiou (em outra categoria, a Um certo olhar) um outro filme que traz à tona uma questão similar: como proteger a família?
Kynodontas (foi apresentado na 33ª mostra internacional de cinema em SP com o título de Dente Canino) do grego Yorgos Lanthimos traz a família recluída em uma casa, cujos únicos contatos com o mundo exterior são as idas do pai ao trabalho, da prostituta que vem vendada para satisfazer as necessidades sexuais do filho, e dos aviões que cruzam o céu e são tratados como aviões de brinquedo, prestes a cair a qualquer instante.
A situação é tão absurdamente impossível que rapidamente entramos no universo alegórico. Tudo ali indica várias possibilidades de entendimento. A mãe define os sentidos das palavras a seu bel prazer, zumbis são flores amarelas e xoxota uma lâmpada grande (e teclado por sua vez xoxota...), assim como os sentidos relacionais são definidos pelos pais conforme acreditam que aquilo protegerá “as crianças” do mundo exterior.
As atividades familiares são todas estruturadas visando alcançar mais pontos, que definem privilégios. Os exercícios, as tarefas, os conhecimentos, os prazeres, são totalmente definidos, limitados e autorizados pelo casal. A família acima de tudo. Filmes são parte da educação indireta (e cenas hilárias da filha mais velha “lutando” e repetindo os diálogos de Rocky – o lutador, e as dancinhas de Flashdance quebram o ritmo claustrofóbico), mas não aqueles que possam atentar contra os valores da família.
Que diferença de famílias! E de estratégias! Poderíamos pensar.
Mas não tão diferentes assim. O canino nunca cai, sabemos todos, inclusive nós que não somos dentistas. Para ter seu pedido aceito de ir a Narayama a velhinha bate com os dentes numa pedra (reza a lenda que a atriz fez concretamente a batida, perdendo os dentes frontais). Para poder sair da casa-refúgio a filha mais velha teria de esperar que seu canino caísse, outra das regras impostas no funcionamento da casa. Cansada de esperar resolve “acelerar” o processo, como a velhinha, abrindo a via de escape na porrada. Mesmo que contra si.
Nem tão diferentes tampouco no indicar as dinâmicas macro sociais em pequenos exemplos holográficos dos microcosmos. Ali, na microfísica se mostram os mesmo poderes, dinâmicas e relações. E as intenções de proteção, nossas e dos outros, com a inevitável tinta de dominação que essa proteção pede, se explicitam com a clareza dolorida de um dente que não cai, para proteger-nos do passo inseguro no “fora”.
E como sempre é mais fácil olhar os dentes do outro que os próprios, aproveitamos este espelho, que reflete nossas bocas, sorrindo, alegres, fechadas, bravas, indignadas, surpresas, ao ver uma situação aberrante sinalizar nosso cotidiano canino, que também não cai...
Os que desejarem ver o filme, que não sei se terá lançamento no Brasil, podem usar da generosidade da rede torrent pelo link (com legenda):
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