terça-feira, 27 de julho de 2010

MAIS UM CASO DE VIOLÊNCIA HOMOFÓBICA EM CAMPINAS

Queridos(as) amigos(as)

Infelizmente não sou portadora de boas notícias. Acabei de receber um comunicado do Grupo de Luta pela Diversidade Sexual - IDENTIDADE - aqui em Campinas.
Camille, integrante desse grupo já participou de algumas atividades culturais na Unicamp, uma delas na Faculdade de Educação. No sábado, ela foi encontrada pela polícia exatamente no momento em que  um homem jogava seu corpo em uma valeta próxima à linha do trem no Bairro Bonfim. Camille não morreu, mas está com o corpo totalmente desfigurado e em vias de ter sua morte cerebral decretada no Hospital Mário Gatti. O homem alegou legítima defesa. Advogados vinculados aos movimentos sociais da cidade estão tratando do caso. Nas próximas horas, serão divulgados o horário e o local das manifestações em repúdio a esse triste acontecimento que juntamente com outros casos caracterizam os microfascismos presentes em nossa sociedade.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

GESTALT TERAPIA E TEATRO ESPONTÂNEO.

Queridos(as).
Hoje, quero lhes apresentar o trabalho de dois amigos.
Alina Purvinis é psicóloga, pela Universidade de São Paulo, especialista em Psicologia Clínica pela PUC Campinas com pós formação em Gestalt-Terapia (curso ministrado por Michael Vincent Miller em São Paulo). Foi professora na PUC Campinas de 1975 a junho de 2010. Atua em Campinas como gestalt-terapeuta, onde atende jovens, adultos, casais e famílias. Para conhecer o núcleo, visitem o site:  http://www.nucleogestalt.com.br/.
Moysés Aguiar (já apresentado aqui em meu blog) e sua trupe comunicam aos interessados que, na primeira quarta feira do mes de agosto, iniciarão em Campinas um novo grupo de formação em Teatro Espontâneo. O endereço eletrônico onde estão as bases da proposta do curso é:  http://cursoteatroespontaneo.blogspot.com .
Um grande abraço.

domingo, 20 de junho de 2010

CONTOS DO CHICLETE.

Queridos(as) Leitores(as)
Minha amiga, Teresa Candolo acabou de lançar um livro intitulado "Contos do Chiclete", pela Ed. Adonis.
Adultos e crianças irão adorar a forma inteligente e bem humorada com que a Teresa aborda a ludicidade do chiclete para adentrar no universo infantil da ficção. Algumas histórias se passam na escola, ambiente em que mascar chicletes é transgredir. De um "inocente chiclete", de um "lúdico chiclete", de uma "pequenina diversão"  brotam histórias inusitadas.


Tome cuidado!!! Chicletes à vista!! Aqui, entre estas aparentemente inofensivas folhas de papel, você poderá encontrar goma de mascar espalhando-se entre os seus dedos, grudando nos seus cabelos, enfiando-se naquele selinho tão esperado da garota mais bonita da turma...
São histórias só de chicletes e eles... estão por toda a parte, colorindo o mundo e a boca dos espertos.
Chicletes também contam histórias, afinal, quem vive na boca de quem tanto fala... conhece segredos!...
 
 
Teresa Candolo é aquela pessoa que vive com o Pão-de-ló, um labrador lindo, fofão e polidíssimo. Não se sabe quem o educou pra ser tão fino... A Teresa estudou Letras, na Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, onde também ficou um pouquinho mais de tempo estudando Literatura Medieval – aquela dos castelos, cavaleiros e dragões – no Mestrado e Doutorado.
Também foi estudar um pouquinho na Bélgica (Université Catholique de Louvain), pra ver os castelos e bruxas mais de perto. Depois ela formou-se em Radialismo – Locução (SENAC-Campinas), porque queria contar tudo pra todo mundo... mas... nem sempre a deixavam "pôr a boca no trombone"...
Então ela achou que poderia escrever. Afinal, ela já fazia isso desde criança, quando morava em Uchoa (SP), na cidade em que nasceu, onde é feriado no dia do aniversário dela (verdade!!!!).
Lá, ela vivia andando sobre os telhados; aqui, ela vive olhando as estrelas, porque alguém lindo ensinou isso pra ela... E não é bom?
Aqui em Campinas, dá aulas na Escola Estadual Gustavo Marcondes, onde as crianças a entendem mais que todo mundo... Mas, na verdade, ela está ali pra poder brincar um pouco mais com o mundo.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

OS CAVALOS QUE SOMOS

Olá!
Hoje, apresento a vocês mais um dos textos do Albor, comentando o filme "Cavalo de duas pernas", de Samira Makhmalbaf. Não há como ficarmos indiferentes à sua escrita e ao desassossego que a temática do filme provoca em nós.


Os cavalos que somos

Filmes iranianos são inegavelmente uma outridade. A narrativa é diferente, a língua é diferente, os atores, gestual, expressividade, tudo difere da ocientalidade, assistimos um filme “de lá” com um misto de curiosidade, surpresa, aborrecimento, tédio, indignação, expectativa etc. Usualmente o filme nos dá algo diferente do que esperamos, claro, por isso ele é diferente, por isso é uma expressão do outro.
O último filme de Samira Makhmalbaf (A maçã de 1994 é talvez seu mais conhecido filme apresentado por aqui, que com uma ternura incomensurável desvela a tragédia do abandono familiar) escrito pelo pai, o também cineasta Mohsen Makhmalbaf, é Cavalo de duas pernas (Asbe du-pa - 2008), e entra, ou melhor invade, ou melhor ainda avassala o espectador de modo indiscutível. Não se poderá ficar intocado frente à história, à narrativa, aos personagens, às relações. Como em Irreversível de Noé, teremos sempre a imagem de algumas cenas nos acompanhando.
Um menino mimado pelo pai teve as pernas amputadas por uma mina, que também vitimou sua mãe, sua irmã sofre de alguma doença e viaja com o pai para o exterior. Na miserável cidade o cuidador do menino contrata um miserável moleque forte para servir de transporte do inválido, levando-o “de cavalinho” para as aulas e passeios.
É fácil e tentador ver as analogias sociais: país rico oprimindo o país pobre, o filme rodado no Afeganistão depois da invasão russa, depois da invasão estadunidense; pessoa rica oprimindo a pobre; dominação pela miséria ...
E não se poderá dizer que isso não faça parte das leituras possíveis. Como toda obra de arte esta se presta a estas leituras. Mas evidentemente ela vai além.
Porque o aleijão se afeiçoa de algum modo a seu “cavalo”, este, com algum deficiência mental se adéqua às ordens de seu senhor e seja pelo dinheiro que recebe, que aos poucos perde importância, seja pela relação de submissão – único vínculo que vive no filme todo –, é a contraparte relacional da dominação opressiva.
Ninguém dá a mínima para a relação que ambos constroem. Nenhum adulto se interpõe quando os limites entre a autoridade e o sadismo são cruzados, nenhuma outra criança se enoja com a situação do cavalo, ao contrário, reafirmando a máxima que criança não presta de nascença. Querem todos dar uma volta no cavalo, conseguindo uma sela para que este fique mais cavalo ainda, ou dispondo-se a pagar mais por isso caso nos seus pés sejam pregadas as ferraduras para que o som dos passos pareça-se mais aos cascos...
Então não há relação que não seja de indiferença ou de aproveitamento, e todo afeto será vivido de um modo ou de outro, e a pequena mendiga pela qual se apaixona o “cavalo” é ela também usada como produto de uso, submetida ao pagamento do senhorzinho feudal. Não há como não lembrar do título de Fassbinder, O amor é mais frio que a morte (1969).
E as imagens são de uma beleza plástica maravilhosa, como por sinal é comum ocorrer também em outros filmes iranianos, e talvez por isso mesmo elas nos aprisionam dessa forma irrecusável, ainda que dolorosamente incisiva: também a dor é bela, também a opressão é bela, também a submissão é bela, e se o incômodo dessas afirmações é insuportável, moralmente insuportável, pessoalmente insuportável, filosoficamente insuportável, não por isso deixa de ser verdadeiro no filme, e por isso ele escapa a qualquer panfletarismo ou propaganda fácil: ele é insuportável e belo, numa reunião que vai alem do cartesianismo ocidental e do platonismo que cola o belo ao bom e certo. E nisso ele expressa uma vez mais a outridade, mas nós somos também esse outro.
ALBOR VIVES REÑONES



quarta-feira, 19 de maio de 2010

DOS DENTES QUE CAEM E DOS QUE NÃO DEVERIAM CAIR.

Olá queridos e queridas
Albor Vives Reñones, do grupo Violar, nos brinda com um artigo sobre o filme Dente Canino. Numa época em que se fala tanto em "desestruturação familiar", Albor nos apresenta algumas percepções sobre a família e as violências que atravessam a vida de todos nós.
Comentem.

Dos dentes que caem e dos que não deveriam cair
Em meados da década de oitenta os cineclubes (sim, houve um tempo no que as pessoas se reuniam para ver filmes decentes coletivamente, em pequenos cinemas, meio improvisados e mambembes) apresentaram um filme japonês que causou certa comoção e debate na época. A balada de Narayama (Narayama Bushi-Ko, Dir.: Shohei Imamura) ganhara a Palma em Cannes em 83, e fizera já uma carreira premiada. A história da anciã de 69 anos, que ao aproximar-se de seu 70º aniversário prepara sua ida ao monte Narayama para lá, como rezava a tradição, ser deixada pelo filho mais velho para morrer, trazia temas delicados e intensos à tona. A situação de fim de século XIX japonês não diferia muito de algumas regiões miseráveis atuais e, talvez por isso mesmo a disponibilidade de velhinha em seguir a tradição, tenazmente, indicava um valor maior, de sacrifício pela coletividade familiar, que sofreria privações com uma boca a mais.
No ano passado Cannes premiou (em outra categoria, a Um certo olhar) um outro filme que traz à tona uma questão similar: como proteger a família?
Kynodontas (foi apresentado na 33ª mostra internacional de cinema em SP com o título de Dente Canino) do grego Yorgos Lanthimos traz a família recluída em uma casa, cujos únicos contatos com o mundo exterior são as idas do pai ao trabalho, da prostituta que vem vendada para satisfazer as necessidades sexuais do filho, e dos aviões que cruzam o céu e são tratados como aviões de brinquedo, prestes a cair a qualquer instante.

A situação é tão absurdamente impossível que rapidamente entramos no universo alegórico. Tudo ali indica várias possibilidades de entendimento. A mãe define os sentidos das palavras a seu bel prazer, zumbis são flores amarelas e xoxota uma lâmpada grande (e teclado por sua vez xoxota...), assim como os sentidos relacionais são definidos pelos pais conforme acreditam que aquilo protegerá “as crianças” do mundo exterior.

As atividades familiares são todas estruturadas visando alcançar mais pontos, que definem privilégios. Os exercícios, as tarefas, os conhecimentos, os prazeres, são totalmente definidos, limitados e autorizados pelo casal. A família acima de tudo. Filmes são parte da educação indireta (e cenas hilárias da filha mais velha “lutando” e repetindo os diálogos de Rocky – o lutador, e as dancinhas de Flashdance quebram o ritmo claustrofóbico), mas não aqueles que possam atentar contra os valores da família.
Que diferença de famílias! E de estratégias! Poderíamos pensar.
Mas não tão diferentes assim. O canino nunca cai, sabemos todos, inclusive nós que não somos dentistas. Para ter seu pedido aceito de ir a Narayama a velhinha bate com os dentes numa pedra (reza a lenda que a atriz fez concretamente a batida, perdendo os dentes frontais). Para poder sair da casa-refúgio a filha mais velha teria de esperar que seu canino caísse, outra das regras impostas no funcionamento da casa. Cansada de esperar resolve “acelerar” o processo, como a velhinha, abrindo a via de escape na porrada. Mesmo que contra si.
Nem tão diferentes tampouco no indicar as dinâmicas macro sociais em pequenos exemplos holográficos dos microcosmos. Ali, na microfísica se mostram os mesmo poderes, dinâmicas e relações. E as intenções de proteção, nossas e dos outros, com a inevitável tinta de dominação que essa proteção pede, se explicitam com a clareza dolorida de um dente que não cai, para proteger-nos do passo inseguro no “fora”.
E como sempre é mais fácil olhar os dentes do outro que os próprios, aproveitamos este espelho, que reflete nossas bocas, sorrindo, alegres, fechadas, bravas, indignadas, surpresas, ao ver uma situação aberrante sinalizar nosso cotidiano canino, que também não cai...
Os que desejarem ver o filme, que não sei se terá lançamento no Brasil, podem usar da generosidade da rede torrent pelo link (com legenda):

quinta-feira, 13 de maio de 2010

13 DE MAIO: COMEMORAR O QUÊ?

Olá queridos(as)  leitores(as).
Infelizmente, não tenho conseguido atualizar o meu blog com frequência devido ao acumulo de trabalho, mas hoje não poderia deixar de trazer a vocês um artigo escrito pela Jaqueline Lima Santos, uma jovem que atua no Movimento Negro Unificado. O seu texto nos faz refletir sobre o dia 13 de maio.
Um grande abraço a todos(as).

13 DE MAIO: COMEMORAR O QUÊ?

O Brasil, ultimo país a abolir a escravidão nas Américas, aquele que explorou aproximadamente 4 dos 10 milhões de africanas e africanos que foram trazidos para exercer trabalho escravo desse lado do Atlântico, possui hoje o maior número de população negra fora do continente africano.

Estamos aqui para falar de negras e negros como sujeitos políticos no período da escravidão. Todo mundo sabe que no Brasil existiu mais de três séculos de exploração, violência e desumanização das(os) não brancas(os) pela colonização européia, mas o que a história não conta é que as(os) negras(os) também eram agentes frente às formas de opressão, que não eram “coisa”, e sim “ser” diante do sistema escravocrata.

Antes da chegada do 13 de maio, a população negra organizou diferentes movimentos de resistência, através da formação dos quilombos, das irmandades, dos trabalhos urbanos, rebeliões nas senzalas, além das diversas revoltas: Malês, Balaiada, Sabinada, entre outras, e foram protagonistas da primeira tentativa de independência no país, através da formação do Quilombo de Palmares, este que sobreviveu mais de 100 anos como um Estado organizado e independente, derrotou por diversas vezes o exército colonial, até que, depois de diversas tentativas, foi invadido e vencido covardemente em 1695 pelo exército de Domingos Jorge Velho.

Vale lembrar que as mulheres negras tiveram papel fundamental nesses movimentos de resistência negra, exercendo papel de líderes, estrategistas, guerreiras, informantes e organizaram as alternativas criadas pelas(os) negras(os) frente ao Estado colonial.

A população negra dinamizou a história do Brasil, não aceitando a condição de escravizada, estabeleceu contra-movimentos e foi conquistando aos poucos sua liberdade, seja através de fugas, ou através da compra de cartas de alforria, e no 13 de maio de 1888, quando a Princesa Isabel assina a leia Áurea, apenas 5% da população negra ainda exercia trabalho escravo. No entanto, é dado o bônus pelo fim da escravidão a princesa boazinha que “libertou os negros”, e nada se fala da luta das(os) negras(os) pela sua liberdade. A lei áurea foi uma estratégia para desmobilizar a população negra que, a exemplo do Haiti, em algum momento, através das explosões constantes de rebeliões, tomaria o Estado brasileiro. Além disso, o processo de industrialização no país exigia a passagem do trabalho escravo ao trabalho livre, só assim o empregador poderia comprar a força de trabalho de acordo com as suas necessidades, e quando contratada, custaria os meios de subsistência do trabalhador.

O que aconteceu a partir de 14 de maio de 1888? A população negra não foi indenizada pelos três séculos e meio de escravidão, as senzalas sobem para os morros, onde hoje se localizam as favelas. A partir de então a imigração européia é incentivada para o Brasil, a fim de ocupar os postos de trabalho assalariado e embranquecer o país, havia até quem acreditasse que em 100 anos não haveriam mais negros no Brasil, e olha nós aqui. Mesmo reconhecendo que estes novos imigrantes foram explorados na venda da sua força de trabalho, eles estavam em condições favoráveis em relação à população negra, através das políticas de doação de terras e moradias que os eram direcionadas, além de serem priorizadas(os) nos postos de trabalho.

Por isso hoje, mesmo a lei áurea tendo marcado “oficialmente” a passagem da(o) negra(o) da condição de escrava(o) a cidadã(o), o que não garantiu nenhum direito da cidadania brasileira a esta parcela da população, que até os dias de hoje encontra-se em condições extremamente desiguais em relação a população branca, o movimento negro no Brasil não comemora o dia 13 de maio, mas tornou essa data o DIA NACIONAL DE DENÚNCIA CONTRA O RACISMO, e comemora o dia 20 DE NOVEMBRO COMO DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA, dia em que morreu Zumbi dos Palmares, mais um dia de luta para a luta de todos os dias.

Hoje, 122 anos após a abolição inacabada, não temos o que comemorar. Queremos nossas carteiras de trabalho assinadas, queremos reparações ações afirmativas nas universidades, queremos punições contra os crimes de racismo, e colocamos o Estado brasileiro no banco dos réus.

Jaqueline Lima Santos
Mestranda em Antropologia pelo Departamento de Ciências Sociais da UNESP - Marília
Pesquisadora do NUPE - Núcleo Negro da UNESP para Pesquisa e Extensão
MNU - SP/ FH2I

sexta-feira, 16 de abril de 2010

TOLERÂNCIA ZERO EM CAMPINAS

Queridos(as) Leitores(as).
A palavra "tolerar", em nossa cultura, tem sentidos ambíguos e por isso acredito que nos atrapalhamos ao falarmos de "tolerância". Segundo o Dicionário do Aurélio Buarque de Holanda Ferreira (2a. ed.), o tolerante é aquele que desculpa,  é indulgente, admite e respeita opiniões contrárias à sua, ou seja, modos de pensar, de agir e de sentir que diferem dos de um indivíduo ou de grupos determinados, políticos ou religiosos. Mas, um outro sentido, nos faz pensar. A tolerância é a tendência a admitir a diferença máxima entre uma valor especificado e o obtido; margem especificada como admissível para o erro em uma medida ou para discrepância em relação a um padrão.  
O texto do prof. Geraldo é muito esclarecedor. Nele conseguimos entender o padrão pelo qual encontra-se a medida específica para o exercício da (in) tolerância.


Opinião  (Publicado  em 15/04/2010, no Jornal Correio Popular)
Os moradores de rua

GERALDO F. MENDES

A finalidade precípua da Guarda Municipal é proteger o patrimônio público municipal. Na semana passada, os fardados municipais vestiram as armaduras dos soldados romanos e detiveram sete invasores que chegavam na rodoviária vindos de outra freguesia. Agora a GM campineira também defende o território campinense impedindo o direito fundamental do cidadão brasileiro de ir e vir em qualquer parte do território nacional.
Os sete afrodescendentes, excluídos de nossa sociedade, moradores de rua, meios-cidadãos brasileiros, foram conduzidos à delegacia por meios coercitivos, identificados, cadastrados e, por não ter sido possível imputar-lhes qualquer crime, foram tangidos de volta, conduzidos em veículos oficiais da Prefeitura de Campinas.
Ironicamente, o governo municipal inaugurou recentemente o Centro Campineiro da Memória Afro-brasileira, que deveria reverenciar a raça negra pelo legado cultural e pelo ativo econômico conseguido pelos donos das chibatas até 1888. Há 122 anos a Princesa Isabel e alguns abolicionistas burgueses abandonaram os descendentes de escravos à sua própria sorte, sem que nenhuma política pública fosse feita no início para incluir os negros brasileiros ao mercado de trabalho e nenhum tipo de indenização foi paga para compensar os ex-escravos pelos anos de trabalhos forçados nas lavouras de café e engenhos de cana de açúcar. No Brasil alguns filhos da Mãe África, se juntam aos outros excluídos e habitam submoradias em locais de alto risco, favelas, viadutos, praças públicas, encostas deslizantes e lixões desativados. Os resultados do descaso dos governantes são conhecidos por todos pelas cenas de horror exibidas diariamente na mídia.
É possível que os sete visitantes detidos na rodoviária tenham vindo a Campinas para tentar entender por que há 50 anos o governo municipal mandou demolir um belo teatro no Centro da cidade e até agora não consegue sequer reformar as casas de espetáculos existentes sob sua responsabilidade. Outra razão possível da vinda dos visitantes a Campinas é querer saber porque o loteamento Cidade Satélite Íris, que está localizado na região do Campo Grande criado em 1936, tem ruas esburacadas, transporte público precário e um abandono completo por todos os governantes que passaram pela Prefeitura.
Outra razão que pode ter despertado a curiosidade dos sete visitantes tenha sido entender por que os núcleos habitacionais de Campinas não têm suas vielas e ruelas sequer denominadas por leis municipais e excluem 30 mil moradores de terem endereços oficiais e CEP, fazendo com que um direito tão básico de cidadania não possa ser desfrutado por um contingente tão expressivo de campineiros.
É possível que os sete homens e mulheres chegaram a Campinas para visitar pontos turísticos da maior cidade do Interior paulista e, caso não tivessem sido detidos, iriam se deparar com a Caravela da Lagoa do Taquaral, totalmente desprezada porque o poder público a abandonou e até agora na conseguiu devolver a nau às águas poluídas do cartão postal do município.
Em contrapartida, os condomínios, construídos no melhor estilo das cidades medievais, na região entre Sousas e a estrada de Mogi Mirim, recebem largas avenidas asfaltadas, devidamente denominadas, e fartos investimentos para edificar fortalezas que cercam e impedem o livre acesso do cidadão comum a vias e logradouros públicos que são apropriados pelos privilegiados moradores das pequenas urbes. A cidade também recebe de braços abertos empresários, principalmente do setor imobiliário, e acolhe com orgulho os abastados estudantes das universidades campineiras.
Lamentavelmente, o programa de Tolerância Zero, implantado pela Prefeitura Municipal de Campinas, no lugar de proteger o cidadão, poderá se transformar em ações de intolerância racial e social. O poder público deveria ser mais cauteloso nas ações e abordagens e o Ministério Público, por sua vez, deveria acompanhar e auditar as diretrizes que conduzem a Guarda Municipal nas ações diárias, cujo objetivo principal deveria ser o de proteger o cidadão e não o de coibir aqueles que residem ou que estejam em trânsito na cidade.

Geraldo Ferreira Mendes é professor aposentado

sábado, 3 de abril de 2010

MOÇÃO DE APOIO À GREVE DOS PROFESSORES

Manifestação de Apoio da Congregação da FACULDADE DE EDUCAÇÃO - UNICAMP



A Congregação da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas, em sua ducentésima quadragésima reunião ordinária, ocorrida em 31 de março de 2010, aprovou, por unanimidade, manifestação de apoio em relação às justas reivindicações que orientam a luta contínua dos professores da Rede Oficial de Ensino do Estado de São Paulo por uma educação pública, gratuita e de qualidade. No mesmo sentido, recomenda às instâncias governamentais competentes a imediata abertura de negociação com os professores, condição necessária, ainda que não suficiente, para o exercício de diálogo efetivamente democrático entre as partes e para o encaminhamento negociado, inclusivo e atualizado de propostas para o enfrentamento dos sérios problemas que afligem a educação escolar pública no Estado de São Paulo.

Campinas, 31 de março de 2010

sábado, 27 de março de 2010

GREVE DOS PROFESSORES DA REDE ESTADUAL DE ENSINO EM SÃO PAULO

Queridos(as) leitores(as)
Alguns professores da rede estadual de ensino e pesquisadores do grupo Violar escreveram um texto sobre a greve dos professores do Estado de S.Paulo. Solicitei a eles permissão para publicar a mensagem em meu blog. Existe também um video que vocês poderão assistir, caso se interessem em buscar mais informações sobre essa greve; trata-se do GREVE DOS PROFESSORES - 2010 - RESPOSTA AO GOVERNADOR: http://www.youtube.com/watch?v=hM_wQM4wNmw


Sim, a greve dos professores do Estado de São Paulo continua! Continua, ainda que o governador tente ignorá-la e ainda que a mídia televisiva e impressa seja omissa em retratar os fatos. Nas duas últimas sextas-feiras a Avenida Paulista foi tomada por professores e estudantes que, em grande marcha, contestaram as mentiras difundidas por José Serra referente à educação de São Paulo.
A Secretaria de Educação afirma que menos de 1% está em greve, mas não é isso que foi visto, Professores de várias cidades do estado demonstraram a força do movimento. O clima era de força, era de luta! E se não podemos contar com alguns meios midiáticos para divulgar essa força, temos outros meios, como a internet, onde também é possível observar a mobilização dos professores.
Enfim, não é possível calar o clamor do povo que lotou a Paulista com seus cartazes, com suas faixas e com a vontade (e necessidade) de serem ouvidos!
Vamos continuar lutando!
Alguns dos motivos...
Resumidamente, tentaremos expor alguns dos motivos que levam a nós professores a não nos calarmos frente às mentiras divulgadas e omitidas pelo governo à população:
1- A divisão em categorias “O”, “L”, “F”, etc, implementada esse ano pelo governo segrega a categoria dos professores. Para que essa diferenciação? Se somos todos professores, não deveríamos ter os mesmos direitos?
2- Professores da categoria “O” terão que ficar 200 dias afastados das salas de aula após término de um contrato. Por exemplo, esse professor, ao substituir uma licença, terá que ficar 200 dias sem trabalhar após o término da mesma. O que ele fará nesse período? Sobre isso, pontuo a realidade de várias escolas, nas quais faltam professores para dar aula e os alunos passam o tempo em que deveriam estar aprendendo em “aulas vagas”;
3- Materiais de péssima qualidade, com erros grosseiros e linguagem não adequada à faixa etária dos alunos, materiais esses que os professores são obrigados a seguir como uma cartilha, não importando as peculiaridades dos alunos atendidos;
4- Índices do IDESP camuflados por meias verdades, como por exemplo, pela baixa taxa de repetência, que na verdade é devido à progressão continuada, e não exatamente à boa qualidade da educação;
5- Salas superlotadas, e sem o prometido “2º professor” na primeira série do Ensino Fundamental I.;
6 – Provas para os ACT’s e a “Progressão por Mérito” (que atingirá no máximo 20% dos professores, como isso será controlado?), nas quais o verdadeiro intuito é passar a idéia de que os professores são os únicos culpados pelo fracasso escolar. Questionamos: Porque só a categoria dos professores tem que passar por humilhantes provinhas?
7- Por fim, as propagandas do governo são enganosas, falam de falsos valores salariais, omitem a miséria do auxílio alimentação e vale-transporte, enfim, omitem a desvalorização salarial da categoria, que não recebe nem ao menos o mínimo reajuste (que seria baseado nos índices de inflação).


sábado, 6 de março de 2010

AMEAÇAS CONTRA LÍDERES DE MOVIMENTOS SOCIAIS


Queridos(as) leitores(as)

Hoje venho pedir a atenção de vocês para um assunto muito grave e diante do qual não podemos nos calar.
Pessoas vinculadas ao Tribunal Popular de São Paulo vêm recebendo ameaças de morte devido a denúncias que registram junto ao Ministério Público. Para quem não sabe, o Tribunal Popular é constituído por profissionais e militantes de várias áreas que além de denunciarem injustiças cometidas contra cidadãos trabalhadores, pobres, oferecem recursos jurídicos para a investigação de mortes por homicídio nas famílias que sofrem perdas e não podem arcar com os custos dessa investigação. Considero que esse tipo de ameaça atinge a todos nós, pois o trabalho do TP tem por objetivo oferecer segurança não somente a todos aqueles que, por falta de recursos financeiros, ficam desamparados ante a Lei como também aprofundar a análise de fatos divulgados pelos meios de comunicação e que nem sempre correspondem aos reais acontecimentos.
Nossa frágil democracia ainda precisa da ajuda de todos nós. O trabalho desenvolvido pelos Tribunais Populares representa uma importante estratégia de defesa de direitos. Existem outras formas de luta, mas a do TP tem sua importância porque “coloca o dedo direto na ferida”. Por isso, endosso minha solidariedade às lideranças dos movimentos sociais, ressaltando a coragem dos(as) companheiros(as) que se expõem em defesa dos direitos humanos e defendem a expansão dos benefícios sociais, políticos, culturais para uma parcela cada vez maior da população brasileira.